Uma sugestão para o próximo fim-de-semana.
Agendem...
Há Cinema no Jardim | Agenda Cultural de Lisboa
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
sábado, 31 de agosto de 2013
Na Creche pela primeira vez? (Don't Panic)
Um artigo útil para para o mês de Setembro, para pais e educadores da Revista "Coisas de Criança, nº1".
Diz-me a experiência que apenas o diálogo empático e a partilha de estratégias entre os profissionais de educação e os encarregados de educação poderão fazer "magia" neste período de ansiedade, choro e dúvidas. Vejam-se como aliados. E como cada criança é única, não há fórmulas universais, a reflexão e a partilha podem ser uma mais valia neste período, por isso qualquer sugestão ou questão podem deixar nos comentários.
Com vontos de uma excelente integração,
Andreia
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domingo, 21 de abril de 2013
Da utilidade e da beleza da criatividade, fora do cavalete da pintura…
Uma estagiária, entusiasmante, partilhou numa das suas reflexões o seguinte pensamento:
“A criatividade abre horizontes. Torna a vida mais útil e bela ”(Pons e Gonzalez, 2003:50).
De seguida enumerava um conjunto, aparentemente, eficaz de estratégias em que a criatividade pudesse ser evocada. Apontou, entre outras, a sua importância na resolução de problemas.
Há uns tempos atrás, quando trabalhei com um grupo de Jardim-de-Infância, comecei a introduzir a avaliação por portfolio como uma das formas mais coerentes de acompanhar o processo evolutivo da criança e de o revelar. Fui fazer uma formação sobre essa prática de avaliação, considerada por muitos como “alternativa”. Nessa formação, moderada por uma educadora experiente, falámos de estratégias que levam a criança a refletir. Fiquei fascinada com as novas ideias que me acrescentavam aqueles debates e resolvi adaptar algumas estratégias de ação, no meu dia-a-dia com as crianças do grupo.
Muitos conflitos existiam naquela sala de atividades. Passavam a vida a chamar-me:
- Andreia, a Liliana disse que eu era feia! (Em prantos.)
- Andreiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, o Pedro está a bater no Tiago.
- An-dreiiiiiiii-aaaaaaa…
- Andreia!!!!!
- Andreia??
Era o “Deus me acuda”. Passava grande parte do tempo a “apagar fogos”. Até que um dia coloquei duas cadeiras frente-a-frente num espaço mais resguardado da sala e chamei-lhe lugar de resolver conflitos.
Houve um dia que disse em tom de convite:
- Vão para as cadeiras, olhem um para o outro e conversem. Resolvam o vosso problema. Depois chamem-me.
Olharam-me com ar suspeito. No início tive a sensação de que acharam que era um castigo inovador. Por isso fiz questão de dizer que não era castigo e frisar que era um lugar para conversar, porque me recusava a ouvir queixinhas ou discussões sem nexo.
Lembro-me perfeitamente do primeiro par que lá se sentou. Ficaram calados, nada disseram um ao outro. Enquanto eu ia perguntando se já tinham resolvido o assunto… Progressivamente as crianças começaram a usar as cadeiras de forma bastante criativa e autónoma. “Vamos conversar”, foi das expressões que se passaram a ouvir com mais frequência. E as atitudes também mudavam. Saiam das cadeiras, davam um aperto de mão e diziam que já estavam amigos outra vez. “Sobre o que falaram?”, “Afinal o que se passou?”, ía perguntando eu, à medida que me sentia menos incluída… Algumas crianças começaram a ir assistir aos diálogos das “cadeiras” e a dar opiniões criativas. Tenho pena de não ter escrito algumas dessas opiniões. De facto, seriam úteis duas cadeiras na vida de muitos adultos e as sugestões dos pequeninos apresentar-se-iam como uma mais-valia. Eles sabem, de forma única, tornar a vida mais bela. São menos complicados. Nós temos muito a aprender com eles se dermos, como estas crianças, espaço aos nossos conflitos para serem resolvidos sem falsos pudores ou preconceitos instalados. Gente útil mete mãos à obra e cria de forma bela.
Vygotsky (psicólogo e pedagogo) relembra que a atividade criadora é que nos volta para o futuro, construindo-o e modificando o presente.
“A vida é Bela” (de Roberto Benigni, 1997) é um bom exemplo cinematográfico que ilustra como a criatividade, em tempos de crise, pode abrir horizontes!
Sugestão de leitura:
Vygotsky (2009). Imaginação e Criação na Infância. SP: ATICA
(*Tenho lido artigos sobre este ensaio, contudo não encontrei ainda a publicação em Portugal…)
(ps.: Mal posso esperar por partilhar este texto com a minha querida estagiária.)
terça-feira, 26 de março de 2013
Como ser um educador horrível, com justa causa?
Horribilis educator: uma espécie em vias de extinção…
Ouvir a expressão “o meu pai é horrível” ou “a mãe da minha colega é que é fixe”, pode partir um coração. Ninguém quer ser o “pior dos pais”, a “mãe mais out”, ou aquele-que-não-percebe-nada. Contudo, sabemos que as comparações são inevitáveis e naturais nos processos relacionais. As crianças começam a fazê-las muito cedo e a jogar emocionalmente com o poder que elas surtem, principalmente, no adulto cuidador. Aos dois anos já gritam a pleno pulmão “não gosto mais de ti, és má”, quando são contrariadas. Ou dizem amuadas que gostam mais de um dos cuidadores, à frente do preterido, por ressentimento. Mera especulação. Ora, pensem comigo, até que ponto estes “insultos” camuflam elogios?
10 atitudes que o/a tornarão horrivelmente chato/a:
1 – O choro: Deixe o bebé chorar um pouco, deixe-o no berço, não o pegue ao colo 1 segundo após começar a chorar. De resto, já falámos sobre birras…
2 – Os presentes: Compre-lhe livros e bilhetes para espetáculos, em vez de uma coleção inteira de barbies ou de gormitis. Compre-lhe o que pode, dentro das suas possibilidades, não deixe de cuidar de si para dar uns ténis de 130€ ao seu filho. Incentive a criança a telefonar ou escrever um bilhete de agradecimento a quem lhe oferece um presente. Mil presentes no Natal, para quê?
3 – A televisão: Evite deixar a criança ver televisão horas a fio. Negoceie a televisão, o dono do comando não pode ser sempre a criança. Televisão no quarto: acha mesmo necessário?
4 – A escola: Os professores também têm razão e os outros colegas não são sempre os maus da fita e o seu filho deve saber disso desde cedo. Ter bons resultados na escola não é um favor para os adultos cuidadores, nem é motivo para dar presentes. Verifiquem juntos se a mochila está organizada e os recados lidos. Vá às reuniões de pais e pertença à associação de pais.
5 – Os modos: Há palavras mágicas sem as quais nada feito: por favor, obrigada, com licença (é o mínimo).
6 – As “gracinhas”: Dizer asneiras, gritar e correr pela casa descontroladamente, insultar o árbitro, chamar gordo ao colega, não dar um beijinho à avó porque é velha, mentir ou dar um soco ao primo chato que irrita toda a gente não tem graça nenhuma. Trave de imediato essas atitudes.
7 – A alimentação: McDonalds não é comida, nem presente que se preze. Legumes, peixe, fruta e sopa não são opção. Batatas fritas, chocolate, doces e refrigerantes só em dias de festa. Somos aquilo que comemos.
8 – O sono: A criança deve deitar-se cedo e com calma. Negoceia-se a hora com adolescentes, não com meninos de dois anos. Não é preciso ficar a adormecer a criança ou enfiar todos os peluches na cama, mais a chucha na boca e a fralda a tapar a cabeça. O acordar quer-se tranquilo e mimoso, certo?
9 – As tarefas: Quem desarruma, arruma. Quem suja, limpa. Quem tira, põe. Quem quer cão, trata dele. Dentro de cada idade com mais ou menos autonomia pode-se atribuir tarefas a todos lá em casa.
10 – Comunicar eficaz e eficientemente: A verdade pode não ser o que se quer ouvir, mas é o mais justo. Tudo se pode explicar à criança, a sua capacidade de aceitação e empatia é bastante recetiva. Não complique nem torne assuntos naturais em tabus: a morte do avô, o tio gay, a doença da vizinha, o divórcio, a tristeza, a paixão acontecem e as crianças apercebem-se. Comuniquem muito.
Certa de que não se vão arrepender, desafio-vos a querer manter esta espécie. É “muita chato” ser chamado de chato, mas…
SUGESTÃO DE LEITURA:
Acabadinho de ser publicado - "O Pai mais horrível do mundo" (editora: A Esfera dos Livros)
Para o Gui, o filho mais incrível do mundo.
Excerto:
O meu papá é o pai mais horrível do mundo.
Ele só sabe dizer "não".
Proíbe-me de brincar.
Obriga-me a trabalhar. (...)
Ele só sabe dizer "não".
Proíbe-me de brincar.
Obriga-me a trabalhar. (...)
O jornalista João Miguel Tavares inspirou-se no seu filho Gui para retratar o mais antigo conflito doméstico: a vocação dos filhos para fazer asneiras e o esforço dos pais para os educar e proteger.
Com belíssimas ilustrações de João Fazenda, este é o livro ideal para todos os miúdos que acham os pais uns grandes chatos, e para todos os pais que ainda assim conseguem manter o sentido de humor.
Com belíssimas ilustrações de João Fazenda, este é o livro ideal para todos os miúdos que acham os pais uns grandes chatos, e para todos os pais que ainda assim conseguem manter o sentido de humor.
Andreia de Oliveira
segunda-feira, 11 de março de 2013
Birras de "perder as estribeiras"...
As birras são atitudes naturais nas crianças. Expressam, geralmente, frustração.
As crianças sabem que chamarão a atenção de quem pretendem e que possivelmente este é o caminho para atingirem o seus objetivos. São estratégicas. Quem as poderá condenar!?
(No entanto se achar que são excessivas e muito frequentes fale com o pediatra e com o educador do seu filho.)
Perguntam-me muitas vezes como fazer perante uma birra de "perder as estribeiras". Deixo algumas sugestões, todas falíveis (porque não há fórmulas na educação):
1 - Não ignore o comportamento, a criança deve saber por si e de forma razoável que uma birra não é aceitável;
2 - Não fique demasiado ansioso, controle-se primeiro e atue depois;
3 - Não grite ou seja agressivo, isto só enervará mais a criança;
4 - Seja firme e não ambíguo, explique que não vale a pena o aparato porque não vai ceder;
6 - Mentalize-se que não é vergonhoso a sua criança estar a fazer uma birra, aceite essa possibilidade e não tente fazer tudo para a calar, principalmente ceder (não ceda mesmo, uma vez que o faça não se queixe da próxima vez);
7 - Quando a birra acabar reforce a sua atitude dialogante e fale com a criança sobre o assunto;
8 - Reprove o comportamento, não a criança (nada de ameaças ou castigos corporais);
9 - Reflita sobre a importância dos limites, segundo esta ideia de Brazelton (2004): "A disciplina é o segundo presente mais importante que um pai pode dar a uma criança. O amor vem em primeiro lugar."
Deixo o exemplo de uma táctica infalível, para os mais audazes (e com sentido de humor):
http://www.youtube.com/watch?v=d5iUsRdMZVA
Sugestões de leitura:
Brazelton, T. (2004). A Criança e a Disciplina. Editorial Estampa
As crianças sabem que chamarão a atenção de quem pretendem e que possivelmente este é o caminho para atingirem o seus objetivos. São estratégicas. Quem as poderá condenar!?
(No entanto se achar que são excessivas e muito frequentes fale com o pediatra e com o educador do seu filho.)
Perguntam-me muitas vezes como fazer perante uma birra de "perder as estribeiras". Deixo algumas sugestões, todas falíveis (porque não há fórmulas na educação):
1 - Não ignore o comportamento, a criança deve saber por si e de forma razoável que uma birra não é aceitável;
2 - Não fique demasiado ansioso, controle-se primeiro e atue depois;
3 - Não grite ou seja agressivo, isto só enervará mais a criança;
4 - Seja firme e não ambíguo, explique que não vale a pena o aparato porque não vai ceder;
6 - Mentalize-se que não é vergonhoso a sua criança estar a fazer uma birra, aceite essa possibilidade e não tente fazer tudo para a calar, principalmente ceder (não ceda mesmo, uma vez que o faça não se queixe da próxima vez);
7 - Quando a birra acabar reforce a sua atitude dialogante e fale com a criança sobre o assunto;
8 - Reprove o comportamento, não a criança (nada de ameaças ou castigos corporais);
9 - Reflita sobre a importância dos limites, segundo esta ideia de Brazelton (2004): "A disciplina é o segundo presente mais importante que um pai pode dar a uma criança. O amor vem em primeiro lugar."
Deixo o exemplo de uma táctica infalível, para os mais audazes (e com sentido de humor):
http://www.youtube.com/watch?v=d5iUsRdMZVA
Sugestões de leitura:
Brazelton, T. (2004). A Criança e a Disciplina. Editorial Estampa
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