Horribilis educator: uma espécie em vias de extinção…
Ouvir a expressão “o meu pai é horrível” ou “a mãe da minha colega é que é fixe”, pode partir um coração. Ninguém quer ser o “pior dos pais”, a “mãe mais out”, ou aquele-que-não-percebe-nada. Contudo, sabemos que as comparações são inevitáveis e naturais nos processos relacionais. As crianças começam a fazê-las muito cedo e a jogar emocionalmente com o poder que elas surtem, principalmente, no adulto cuidador. Aos dois anos já gritam a pleno pulmão “não gosto mais de ti, és má”, quando são contrariadas. Ou dizem amuadas que gostam mais de um dos cuidadores, à frente do preterido, por ressentimento. Mera especulação. Ora, pensem comigo, até que ponto estes “insultos” camuflam elogios?
10 atitudes que o/a tornarão horrivelmente chato/a:
1 – O choro: Deixe o bebé chorar um pouco, deixe-o no berço, não o pegue ao colo 1 segundo após começar a chorar. De resto, já falámos sobre birras…
2 – Os presentes: Compre-lhe livros e bilhetes para espetáculos, em vez de uma coleção inteira de barbies ou de gormitis. Compre-lhe o que pode, dentro das suas possibilidades, não deixe de cuidar de si para dar uns ténis de 130€ ao seu filho. Incentive a criança a telefonar ou escrever um bilhete de agradecimento a quem lhe oferece um presente. Mil presentes no Natal, para quê?
3 – A televisão: Evite deixar a criança ver televisão horas a fio. Negoceie a televisão, o dono do comando não pode ser sempre a criança. Televisão no quarto: acha mesmo necessário?
4 – A escola: Os professores também têm razão e os outros colegas não são sempre os maus da fita e o seu filho deve saber disso desde cedo. Ter bons resultados na escola não é um favor para os adultos cuidadores, nem é motivo para dar presentes. Verifiquem juntos se a mochila está organizada e os recados lidos. Vá às reuniões de pais e pertença à associação de pais.
5 – Os modos: Há palavras mágicas sem as quais nada feito: por favor, obrigada, com licença (é o mínimo).
6 – As “gracinhas”: Dizer asneiras, gritar e correr pela casa descontroladamente, insultar o árbitro, chamar gordo ao colega, não dar um beijinho à avó porque é velha, mentir ou dar um soco ao primo chato que irrita toda a gente não tem graça nenhuma. Trave de imediato essas atitudes.
7 – A alimentação: McDonalds não é comida, nem presente que se preze. Legumes, peixe, fruta e sopa não são opção. Batatas fritas, chocolate, doces e refrigerantes só em dias de festa. Somos aquilo que comemos.
8 – O sono: A criança deve deitar-se cedo e com calma. Negoceia-se a hora com adolescentes, não com meninos de dois anos. Não é preciso ficar a adormecer a criança ou enfiar todos os peluches na cama, mais a chucha na boca e a fralda a tapar a cabeça. O acordar quer-se tranquilo e mimoso, certo?
9 – As tarefas: Quem desarruma, arruma. Quem suja, limpa. Quem tira, põe. Quem quer cão, trata dele. Dentro de cada idade com mais ou menos autonomia pode-se atribuir tarefas a todos lá em casa.
10 – Comunicar eficaz e eficientemente: A verdade pode não ser o que se quer ouvir, mas é o mais justo. Tudo se pode explicar à criança, a sua capacidade de aceitação e empatia é bastante recetiva. Não complique nem torne assuntos naturais em tabus: a morte do avô, o tio gay, a doença da vizinha, o divórcio, a tristeza, a paixão acontecem e as crianças apercebem-se. Comuniquem muito.
Certa de que não se vão arrepender, desafio-vos a querer manter esta espécie. É “muita chato” ser chamado de chato, mas…
SUGESTÃO DE LEITURA:
Acabadinho de ser publicado - "O Pai mais horrível do mundo" (editora: A Esfera dos Livros)
Para o Gui, o filho mais incrível do mundo.
Excerto:
O meu papá é o pai mais horrível do mundo.
Ele só sabe dizer "não".
Proíbe-me de brincar.
Obriga-me a trabalhar. (...)
Ele só sabe dizer "não".
Proíbe-me de brincar.
Obriga-me a trabalhar. (...)
O jornalista João Miguel Tavares inspirou-se no seu filho Gui para retratar o mais antigo conflito doméstico: a vocação dos filhos para fazer asneiras e o esforço dos pais para os educar e proteger.
Com belíssimas ilustrações de João Fazenda, este é o livro ideal para todos os miúdos que acham os pais uns grandes chatos, e para todos os pais que ainda assim conseguem manter o sentido de humor.
Com belíssimas ilustrações de João Fazenda, este é o livro ideal para todos os miúdos que acham os pais uns grandes chatos, e para todos os pais que ainda assim conseguem manter o sentido de humor.
Andreia de Oliveira